AINDA TRÓIA - convém se proteger do sol - Banrisul Mulheres da Cena Gaúcha

28/11 a 29/11

AINDA TRÓIA - convém se proteger do sol - Banrisul Mulheres da Cena Gaúcha

Local:

Teatro Simões Lopes Neto

Sobre o evento

"Ainda Tróia — convém se proteger do sol" é uma releitura contemporânea de As Troianas, de Eurípides. Cinco mulheres habitam uma praia no fim de um mundo — entre o mar e a terra, entre o que foi perdido e o que ainda não chegou. Tróia já caiu quando a cena começa. O que resta é a espera: corpos femininos que falam, lembram, dançam, gritam, silenciam e resistem, enquanto o mar diante delas anuncia uma tempestade, uma guerra, uma mudança inevitável.

O espetáculo mantém a tragicidade de Eurípides e a atravessa de humor e de praia — cadeiras, toalhas, óculos espelhados, protetor solar, objetos cuspidos pela água. Não é a Antiguidade reencenada: são arquétipos de mulheres que ainda existem hoje. O calor é permanente. O sol é uma ameaça constante. Convém se proteger do sol soa inicialmente como um conselho banal de verão, mas aos poucos revela sua dimensão política e existencial. Proteger-se do sol signifi ca tentar sobreviver à exposição contínua do mundo contemporâneo, às imagens, às violências, à vigilância, à hiperprodutividade, ao esgotamento emocional, à destruição ambiental. O sol torna-se uma espécie de deus contemporâneo: excessivo, inevitável, violento.

Visualmente, a encenação opera num espaço de paisagem e instalação. Guarda-sóis, cadeiras de plástico, tecidos transparentes movimentados pelo vento, boias furadas, ventiladores, sacos plásticos e diferentes objetos cuspidos. Ao invés de areia uma grama azul, um mar seco, simbólico, metáfora de travessia e deslocamento. Ele é força de devolução. Tudo retorna pelo mar: lixo, memórias, objetos sem dono, restos da história. Grandes caveiras cuspidas pelo mar. O mar nunca aparece literalmente - apenas é ouvido.

Em "AINDA TRÓIA: convém se proteger do sol, o texto de Eurípides não é tratado como peça histórica, mas como matéria viva para pensar mulheres que sobrevivem desde a Guerra de Tróia até à contemporaneidade, ou seja, agora, nesse instante.

A PARTIR DE As Troianas, de Eurípides
DIREÇÃO Jezebel De Carli
DRAMATURGISTA Francisco Gick
DRAMATURGIA (SALA DE RESSONÂNCIA) Silvana dos Santos Rodrigues · Dani Langer
ELENCO Guega Peixoto · Nina Picoli · Mani Torres · Jezebel De Carli
FIGURINO E CENOGRAFIA Gustavo Dienstmann Diniz
ILUMINAÇÃO Ricardo Vivian
PROJEÇÃO MAPEADA Frederico Demin
COMUNICAÇÃO Jéssica Barcellos
REDES SOCIAIS Helena Rocha
PRODUÇÃO Nina Picoli
REALIZAÇÃO Coletivo Errática

Esse espetáculo faz parte do projeto Banrisul Mulheres da Cena Gaúcha.

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